"Quem quer tudo fica sem nada, quem deseja um grão de areia ganha o mundo" (Paulo Alonso)

Outono



Outono

Jovem Tigre e moça cigana,

Correram, esconderam por terras serranas,

Melina envolta em seus panos e cores,

Não brilham mais, mais que as flores


Vagaram livres por selvas e pastagens,

Mataram bandidos e feras selvagens,

Seguindo o destino, onde foram chegar:

Depois da encosta, na areia, o mar.


Caranguejo por fim se mostrou indiscreto,

Da toca saiu com o outono repleto.

O verão acabou-se com os passos passados,

Estavam agora consolidados.


Na praia fizeram seu modesto lar.

Quem diria que as ondas os fariam parar?

Porém os frutos da estação não tardaram

E as folhas estéreis aos poucos calharam.



“Acaba a inocência. Agora não há mais cores nem flores. Buscam por um lugar onde possam parar, e encontram segurança numa praia. Lá constroem seu lar. Os frutos da estação não tardam. Chegam os filhos, e a velhice bate à porta.”

[texto e arte: Paulo Roberto Alonso]